Educação de Pessoas com Necessidades Especiais

- Dossiê de Inclusão -
Durante estes 19 anos de caminhada docente tive algumas experiências com inclusão. Tive alunos com deficiência auditiva, porém, não totalmente, assim conseguiam falar normalmente com os colegas e professora. Tive alunos com dislexia, com certo tipo de deficiência mental e com Síndrome de Down. É e um caso de Síndrome de Down que quero relatar aqui, ou seja, uma experiência que quero compartilhar.
No ano passado (2008) tive um menino Down em minha turma de 2° ano (fund. 9 anos) o L.R. O menino tinha idade escolar compatível com o restante da turma, 7 anos, porém, não condizente com sua idade mental, que através das atividades que propus e pude desenvolver com ele, me fizeram acreditar que sua capacidade intelectual ficava por volta dos 3 ou 4 anos de idade. O menino L. ainda precisava fazer muitas construções que normalmente se faz com uma criança de ed. Infantil, é claro, perfeitamente normal e compreensível, pois o down pode levar um pouco mais de tempo em sua aprendizagem. Mas as dificuldades foram muitas, como não tinha conhecimento de que poderia ter uma auxiliar na turma, trabalhei sozinha com o L., tentando alfabetizar os outros.
A mãe do L. não queria saber de “construções” nenhumas, queria que ele aprendesse a ler e a escrever, sem respeitar sua capacidade, suas limitações e o seu tempo para aprender (às vezes é mais difícil lidar com os pais do que com as próprias crianças). Mas o que eu achava mais estranho, ainda mais que pelo que sei não se trata de uma característica do down, era que o L. era agressivo, bravo e dizia muitos palavrões, o tempo todo. Xingava-me, xingava os colegas, jogava seu material nos colegas e assim por diante. A mãe sempre tinha uma desculpa, normalmente eram os meninos da vila que ensinavam. Somente no finalzinho do ano fui descobrir o que se passava, os pais do L. viviam/moravam na mesma casa, porém separados, optaram em viver assim em função do menino. Acontece que o pai normalmente chegava bêbado em casa, xingava e os palavrões era ele que “ensinava”. Na verdade penso que este pai, contando com a omissão da mãe, estava (e está) estragando este menino, ensinando-lhe o que é errado, não lhe impondo limites ou regras.
No final do ano, a mãe pediu que ele permanecesse no 2º ano, já que não teria condições de acompanhar sua turma, estando num nível inferior de aprendizagem. Fizemos o que ela pediu.
Hoje não sei o que se passa, como está o L. e toda sua história de vida. O que sei é que esta família não está preparada para criar e educar uma criança com necessidades educacionais especiais, nem tampouco a escola está preparada. E eu questiono, é isto que chamamos de inclusão?
* * * ATIVIDADE 2 * * *
* * * ESTUDO DE CASO * * *
Comments (1)
Maria del Carmen Cabrera Martins said
at 3:37 pm on Apr 15, 2009
Adriana, existem casos de inclusão, só que isto se faz aos poucos. Se fala muito que a escola não esta preparada, mas se não fizermos nossa parte tambem nada vai acontecer, não devemos de ficar esperando que nos alcancem tudo nas nossas mãos, devemos ir a luta. Você tentou, procurou auxiliar o seu aluno, fez o correto. Como sempre falo, que é muito imortante a participação ativa da familia, ela é o elo de tudo, por isso sempre defendo que para ter inclusão nas escolas, não só deve de proporcionar infraestrutura para o aluno, mas tambem para a familia, num processo que caminhe junto, sei que é um sonho, mas tenho certeza absoluta que isto vai acontecer.
Abraços
Maria del Carmen
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